Angel, Zuzu

Foi uma estilista mineira que alcançou sucesso internacional na década de 1970.

Chamava-se Zuleika de Souza Netto, e nasceu em Curvelo, Minas Gerais em 5 de Junho de 1921. Mudou-se para a Bahia. Por causa desses anos resididos lá, Zuzu teve muito influência das rendeiras baianas em seu trabalho. Em 1943 casou-se com o americano Norman Angel Jones e juntos tiveram três filhos: Stuart, Hildegard e Ana Cristina. Em 1947 mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a carreira de figurinista, como eram chamados os estilistas da época.

Roupas feitas por Zuzu Angel com influência da indumentária baiana.

O contato de Zuzu com a moda vem desde a infância, quando ainda era pequena já costurava roupas para as primas. Na década de 1950 começou sua carreira de figurinista (estilista). Em 1960 ela se separou do então marido.

Durante a década de 1950 e 1960 o negócio de Zuzu foi crescendo até ganhar fama internacional. Zuzu ia muito aos Estados Unidos e lá possuia grandes contatos. Portanto, conseguiu divulgar sua marca de tal maneira que chegou a ganhar clientes como: Joan Crawford, Yolanda Costa e Silva, Helô Amado, Heloisa Lustosa, Kim Novak, Margot Fontaine e Liza Mineli. Finalmente, no começo dos anos 1970, abriu uma loja em Ipanema que ficou muito famosa.

Sacola plástica da loja de Zuzu.

Foi quando seu filho Stuart morreu que a vida de Zuzu mudou para sempre. Stuart era militante político e fazia parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro – MR-8. Em 14 de Junho de 1971, foi preso pelo CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica) e nunca mais foi visto.

Devido a morte não explicada do filho, Zuzu passou o resto de sua vida procurando respostas sobre o que tinha acontecido com Stuart.

Por causa de sua perseverança, ela conseguiu descobrir que o filho foi preso e torturado pelo CISA e que seu corpo foi jogado no mar, assim como o de muito outros presos politicos da época.

Zuzu não deixou a morte de seu fiho ser em vão e fez questão de que o mundo soubesse do que acontecia no Brasil. Novamente ela usou todos os seus contatos para divulgar o que havia acontecido com Stuart.

Por causa da busca pelo filho, Zuzu mudou muito e suas roupas foram reflexo disso. Apesar de manter seu estilo, ela usou as roupas para fazer um protesto contra a ditadura militar. Em um desfile feito na embaixada brasileira em Nova York (foi feito lá devido a uma lei brasileira que dizia que era proibido protestar contra o país fora dele, e como a embaixada era solo brasileiro, a lei lá não valia), ela desfilou uma coleção com bordados de tanques de guerra, pássaros engaiolados, anjos machucados e amordaçados e as figuras de crucifixos, sol atrás das grades, jipes e quépis.

As roupas alegres que sempre foram símbolo de ótima costura brasileira fora do país agora carregavam grande peso político contra o mesmo país que ela ajudou a divulgar.

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Ela faleceu no Rio de Janeiro em 14 de abril de 1976, em um acidente causado pela mesma área da aeronáutica que prendeu e matou seu filho.

Já desconfiada de que poderia ser vítima de algum atentado, uma semana antes de falecer ela deixou na casa de amigos como Chico Buarque uma carta documento que continha a frase “Se eu aparecer morta, por acidente, assalto ou outro qualquer meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”.

A moda de Zuzu era de modelagem simples e singela, mas de uma delicadeza muito especial. Tinha grande influência brasileira, com o uso de pedras do Brasil e de rendas baianas. Usava cores alegres e estampas de anjos, a sua marca registrada eram pássaros, flores e animais. Zuzu foi inovadora de diversas maneiras, foi ela quem trouxe o termo “designer” para o Brasil. Também foi ela quem começou a usar sua logomarca do lado de fora das roupas, e principalmente, foi ela quem fez o primeiro desfile de protesto político do mundo. (O desfile pode ser conferido abaixo)

Zuzu além de estilista foi e é um símbolo político.

Em sua homenagem, foi feito um filme intitulado “Zuzu Angel” em 2006 e alguns estilistas, como Ronaldo Fraga, a usaram e usam como inspiração para suas coleções até hoje. Além disso, o túnel no qual ela sofreu o “acidente” que causou sua morte hoje se chama túnel Zuzu Angel. Ainda assim, a homenagem mais conhecida feita em seu nome é a música “Angélica” de Chico Buarque e Miltinho.

Trailer do filme Zuzu Angel de 2006:

Bibliografia: Allan, Georgina O’Hara; Enciclopédia da Moda: De 1840 À Década de 90: Companhia das Letras, 2010.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Zuzu_Angel

http://educacao.uol.com.br/biografias/zuzu-angel.htm

http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/zuzu-angel/

http://www.modamanifesto.com/index.php?local=detalhes_moda&id=177

http://www.zuzuangel.com.br/html/zuzu.html

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