Balenciaga, Cristóbal

Cristóbal Balenciaga Eizaguirre nasceu em 21 de Janeiro de 1895 em Getaria, no país Basco, na Espanha.

É tido entre os profissionais da moda como um dos maiores estilistas que já existiram.

Filho de um pescador e de uma costureira, aprendeu a trabalhar muito cedo. Seu pai faleceu quando ainda era um menino e, a partir de então, sua mãe passou a sustentar a família sozinha.

Martina Eizaguirre Embil – Mãe de Cristóbal Balenciaga.

Felizmente, a clientela de sua mãe incluía as mulheres mais bem vestidas da cidade. Graças a isso, Balenciaga não só aprendeu a costurar cedo, como também pôde começar sua carreira vestindo mulheres de importância.

Quando ainda era um pré adolescente, por volta dos 12 anos, desenhou um vestido para a Marquesa de Casa Torres. Ela gostou tanto do trabalho do jovem que, não só tornou-se sua primeira cliente, como também resolveu apadrinhá-lo.

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Com a ajuda da Marquesa, Balenciaga foi estudar alfaiataria em San Sebastian, uma cidade litorânea próxima a Getaria. Em 1917, se formou e, em 1924, abriu sua primeira Casa de Moda, chamada Cristobal Balenciaga. Em 1927, abriu outra loja, chamada Eisa, o diminutivo do nome de solteiro de sua mãe.

Em pouco tempo, Balenciaga conseguiu destaque entre os estilistas da Espanha. Logo abriu uma filial de sua loja e maison em Madrid, em 1933, e outra em Barcelona, também em 1933. Ele passou a vender em suas lojas não só roupas originais, como réplicas autorizadas. E, nessa mesma época, começou a vestir a aristocracia e realeza espanhola.

No começo da década de 30, Balenciaga já era considerado o melhor estilista da Espanha.

Cristóbal Balenciaga em seu ateliê, em Paris 1968 Foto por Henri Cartier-Bresson
Cristóbal Balenciaga em seu ateliê, em Paris 1968 Foto por Henri Cartier-Bresson.

Quando a guerra civil espanhola estourou, em 1936, Balenciaga mudou-se para Paris.

Em 1937, abriu um endereço na Avenida George V.

Sua loja rapidamente tornou-se a mais cara e exclusiva de Paris. Seu treinamento como alfaiate foi um dos motivos para tanto sucesso, ele era o único estilista da época que sabia não só desenhar, como cortar, costurar e finalizar suas roupas com maestria.

Sua fonte de inspiração mais explorada foi a cultura espanhola. Baseava suas roupas tanto em dançarinas de flamenco, nas roupas e utensílios dos toureiros (como a bandeira que usavam), em artistas como Diego Velazquez, Francisco de Goya e Francisco Zurbarán, bem como na renda preta dos xales de mantilha usados pelas espanholas durante ocasiões especiais como a Semana Santa Espanhola. Outras fontes de inspiração que devem ser ressaltadas são o catolicismo e seus símbolos, e também a indumentária histórica.

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Em seu atelier, havia diversas influências de elementos do séc. XIV, revistas e livros especializados no tema, que ele usava de inspiração para seus trabalhos. Diferente da maioria dos estilistas da época, Balenciaga era mais retraído e não gostava de entrevistas.

Dovima, em Balenciaga, no café Les Deux Magots, Paris, 1955 Richard Avedon
Dovima, usando Balenciaga, no café Les Deux Magots, Paris, 1955 por Richard Avedon.

Em 1957, decidiu não lançar seus produtos nas semanas de lançamento, e sim quatro semanas depois, um dia antes de estarem disponíveis para a compra do varejo. Balenciaga pretendia assim evitar que outros grandes estilistas imitassem suas peças. Essa decisão ia de encontro com os interesses das grandes revistas de moda, pois fazia com que a cobertura de suas coleções e a impressão de suas edições tivessem que ser realizadas em questão de dias ou horas.

Givenchy foi o único apoiador de sua estratégia comercial e também optou por mostrar suas criações um dia antes delas estarem disponíveis para compra.

Com a união de fatores da diferença de data e a falta de cobertura da imprensa em seus desfiles, ele ganhava espaço em revistas como Vogue e Harper’s Bazaar em publicações posteriores e exclusivas, que só dividia com Givenchy.

Em 1967, ambos os estilistas recuaram de suas decisões e voltaram ao cronograma da semana de moda tradicional.

Outra característica particular era que ele não concordava com o Sindicato da União da Alta Costura, e portanto, mesmo sendo extremamente respeitado, ele nunca se tornou seu membro, não podendo ser considerado “Alta Costura“.

O sucesso de Balenciaga não veio só porque ele conseguia imaginar e reproduzir peças de roupas deslumbrantes, mas também devido ao seu exímio talento de alfaiate, e posteriormente, pela sua capacidade e criatividade de repensar a silhueta feminina, moldando cada vez mais o corpo feminino de maneira inusitada.

Na sua época, a crítica separava os estilistas da seguinte maneira: Chanel era “A francesa”, Elsa Schiaparelli era “A italiana”, Edward Molyneux “O irlandês”, Robert Piguet “O suiço”, Main Rousseau Bocher “O americano”, e Balenciaga era considerado “O espanhol”.

Até mesmo entre os colegas, seu talento e ouvre eram considerados da melhor qualidade. Dior e Chanel, por exemplo, apesar de todas as diferenças que tinham, concordavam que Balenciaga era o melhor estilista entre todos.

Chanel disse que somente Balenciaga podia ser considerado um estilista completo, pois somente ele sabia executar todas as fases da construção de uma roupa. Ela e os outros estilistas de seu tempo eram somente designers. Já Dior disse que a alta costura era uma orquestra da qual todos os estilistas eram os músicos que seguiam o comando do maestro Balenciaga.

Outro detalhe muito importante da vida profissional de Balenciaga, era o de que ele foi professor e mentor de estilistas de grande renome, sendo algum deles Oscar de La Renta, Andre Courreges, Emanuel Ungaro e seu protegido e mais notável aprendiz, Hubert de Givenchy, novamente, o único que o apoiou na decisão de ir contra as regras do Sindicato da União da Alta Costura e a de desfilar suas criações numa data diferente da dos demais estilistas.

Apesar do grande sucesso que fazia, vale lembrar que Balenciaga só realmente alcançou reconhecimento internacional depois da Segunda Guerra Mundial, quando já possuía mais de 30 anos de trabalho e experiência.

Estudando o trabalho de Balenciaga, nota-se como o estilista era constante. A cultura espanhola foi usada como inspiração de diversas coleções ao longo de sua carreira, e muitos de seus modelos mais conhecidos foram resultado da contínua experiência de um modelo anterior. O vestido “camisa”, por exemplo, abriu caminho para o vestido “saco” (considerado por alguns como o mesmo modelo de vestido) que, por sua vez, abriu caminho para o vestido “baby-doll”, que é considerado o pai dos mini vestidos dos anos 60.

Assim como outros estilistas, Balenciaga também se encantou pela modelagem japonesa dos quimonos, e, depois de estudá-las, conseguiu produzir modelos originais com aspectos de suas construções anteriores. Um de seus modelos mais famosos, o vestido “tulipa”, foi fruto do interesse de Balenciaga pela vestimenta japonesa.

balenciaga tulip dress 1965
Vestido Tulipa, inspiração dos quimonos – 1965.

Balenciaga é um dos estilistas que partia do princípio de que a roupa começa a ser feita a partir do seu tecido, ou seja, não adianta tentar seguir um croqui se o material não é o ideal para o modelo.

Conhecedor de diversos tecidos, apesar de ter preferência pelos mais estruturados, também ficou conhecido pelo belíssimo trabalho que fazia com a renda. E assim como Yves Saint Laurent, fechou parceria com a fábrica Abraham para a criação de tecidos originais como o Gazar de seda.

Vale ressaltar o trabalho que fez com acessórios, como chapéus, e suas linhas de perfumaria.

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Em 1960, fez o vestido de noiva da futura rainha da Bélgica, Fabiola Fernanda María-de-las-Victorias Antonia Adelaida, que também era neta da Marquesa de Casa Torres, sua primeira cliente.

Balenciaga decidiu aposentar-se em 1968, chocando suas clientes, que ficaram extremamente tristes com a notícia. Segundo a lenda, a Condessa Mona Bismarck teria se trancado em seu quarto por três dias quando ficou sabendo da decisão do estilista.

Outra cliente com um caso curioso foi Jacqueline Kennedy. Fã do trabalho de Balenciaga, a primeira dama dos Estados Unidos comprava modelos do estilista espanhol a contra gosto de seu marido, o então presidente americano John F. Kennedy, que achava que sua esposa não deveria apoiar a indústria espanhola. Suas compras, por fim, acabavam sendo pagas pelo sogro, Joseph Kennedy.

Quatro anos depois de sua aposentadoria, Balenciaga faleceu em 24 de março de 1972.

Sua maison ficou fechada até 1986, quando foi comprada por Jacques Bogart S.A., e teve Michel Goma como estilista chefe a partir do ano de 1987. Goma ficou na casa por 5 anos, e, em 1992, Josephus Thimister assumiu o cargo. Thimister foi substituído por Nicolas Ghesquière em 1997, que permaneceu na casa durante a compra da marca pelo grupo Kering. Em 2012, Ghesquière foi substituído por Alexander Wang, que ficou na casa por dois anos, e foi substituído, em 2015, pelo atual Demna Gvasalia.

Balenciaga foi responsável por moldar a silhueta feminina de maneiras diversas, e dentre seus modelos mais conhecidos estão o vestido “saco”, o vestido “baby-doll”, o vestido “envelope”, o vestido “túnica”, o vestido “camisa”, o vestido “tulipa”, o vestido “sari”, o chapéu véu (feito em 1967 para acompanhar vestidos de noiva), e a manga melão. Há também os boleros inspirados nas roupas dos toureiros e o vestido “infanta” inspirado em um dos quadros de Diego Velázquez.

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Balenciaga foi um estilista a frente do seu tempo com um talento excepcional. Foi importante em sua época e continua sendo uma grande fonte de inspiração para profissionais da moda em todo o mundo.

Confira:

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A versão em inglês do post: Ainda não há uma versão em inglês.

Bibliografia: Callan, Georgina O’Hara; Enciclopédia da moda de 1840 à década de 90 / Georgina O’Hara Callan ; verbetes brasileiros Cynthia Garcia : tradução Glória Maria de Mello Carvalho, Maria Ignez França – São Paulo : Companhia das Letras, 2007.

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